
VENERAÇÃO ANCESTRAL
O Sistema da Veneração Ancestral não pode ser divulgado abertamente. Conhecer Deusas e Deuses é ter acesso a energias que estão além da compreensão da ciência e que requerem um aprendizado cuidadoso para que não revertam em prejuízo ao aprendiz e/ou a que lhe rodeie. Tendo isto em mente, divulgamos aqui apenas algumas poucas informações sobre uma Deusa e um Deus venerados na Ordem Sagrada de Bennu, reservando informações mais completas sobre o sistema da Veneração Ancestral aos adeptos.
Para melhor compreensão, é preciso alertar que Deidades Ancestrais não são Deidades egípcias, nem pré-colombianas, nem indianas, nem chinesas ou polinésias, mas deidades pré-glaciais que serviram de modelo para a criação de deusas e deuses destas e de muitas outras antigas civilizações. À medida que as condições ambientais mudavam, tais deidades foram tendo seus atributos desmembrados entre deuses pós-diluvianos.
Notamos ainda que, em alguns aspectos, Deuses de civilizações pré-colombianas guardaram, com maior precisão que os egípcios, a face original dos Deuses Ancestrais; noutros aspectos, deuses celtas fizeram ressurgir com maior fidedignidade alguma face de uma Deusa ou de um Deus Ancestral, mas para compreender as Deidades Ancestrais temos de olhar para um passado mais longínquo e ao mesmo tempo para o futuro.
Finalmente, antes que indiquemos a personificação deste Divino Casal, lembramos que as Deidades se apresentam a cada um conforme códigos individuais, portanto, entre as imagens que descrevemos a seguir e a experiência própria no contato com as Deidades, a visão pessoal deve prevalecer na prática individual.
A Deusa
Hator, conforme revelado, é a Deusa. Compõe-se como Deusa tríplice, sendo que partes de cada um de seus aspectos foi desmembrado e reformulado aos egípcios como Hathor, Ísis e Nut. Hathor, a Deusa da alegria e da dança; Ísis, o trono sobre o qual se sentava o faraó, a verdadeira sede de seu poder; Nut, o céu sob o qual o mundo foi criado, o firmamento onde a criação se deu. Na Veneração Ancestral, Hator (repare a grafia sem h, conforme revelado) é a amante e menina, a mulher e a terra, a mãe e o céu; é a alegria que muitos esquecemos na infância, a responsabilidade e o amor maternos, ao mesmo tempo é a sensualidade desprovida de malícia, a dedicação não submissa, o calor envolvente de um abraço sincero. É Hator que dá a vida, é dela que tudo provém. Dela nasceu o próprio Deus, em seu ventre Ele se deita, em seus seios se alimenta e do vazio de seu útero Ele ressurge.
Na Veneração Ancestral, Hator costuma se apresentar na forma humana da Hathor egípcia (imagem acima), uma mulher de pele morena e quente, magra com belas formas, olhos escuros e olhar muito vivo. Não cheira a perfume ou a incenso, mas a "pele", a feromônios. Suas feições, diga-se de passagem, são muito semelhantes às representações de Ísis e, assim como ela, porta sobre a cabeça o disco solar dentro do arco lunar. As formas alternativas da Deusa egípcia Hathor, por outro lado, seja como vaca ou como mulher com orelhas de vaca, evocam apenas uma das três faces primárias da Hator ancestral.
O Deus
Kher-Nun, conforme revelado, é o Deus. Ele é o poder fertilizador, o Senhor das Florestas e da virilidade. É a força da vida e o Sol que abençoa a vegetação. Não se trata de um Deus duplo. A forma humana das águas primordiais, chamada pelos egípcios de Nun (imagem ao lado), representa apenas o que os egípcios conseguiram manter em sua lembrança do corpo do Deus ancestral (não apresentamos ou descrevemos aqui a imagem de Kher-Nun adotada pela Bruxaria Ancestral), mas seu espírito é Kher, a palavra, o poder da palavra, o poder do discurso, o sacerdote que comanda a palavra, a voz que comanda os exércitos, a vitalidade que move a matéria, o calor que anima. A vida nasceu das águas primordiais sob o comando de Kher-Nun, Ele estava no início dos tempos sob Nut (o céu), cobrindo toda a terra. Em seu corpo abrigou os seres das águas e do fogo, assim como, mais tarde sustentou os da terra e os do ar. Tal e qual Khnum (Deus das cheias do Nilo), Ele, ainda hoje, molda o corpo dos homens a partir do barro, mas vai além disto, pois molda todos os seres e todas as formas, desde as pedras até o ar. Ele não dá a vida, mas ele constrói a vida e a preserva. Seu poder é imenso e se manifesta de forma constante e firme, não de forma abrupta.
Enquanto no Egito, com a desertificação do norte da África, Kher-Nun caia em esquecimento como o distante Nun da cosmogênese, sendo seu caráter principal resgatado mais tarde na forma de Khnum (aquele que traz a lama que fertiliza o Nilo), na Europa, tornou-se Cernunnos, uma versão muito mais agressiva e bestial do que era em tempos pré-glaciais. Todavia, não é só o nome que denuncia a ligação, os traços principais estão ali: os chifres da virilidade, o Senhor das Florestas e da vida que ali existe, seja animal ou vegetal. O Sol e a água, a antiga receita da agricultura.