

ORDEM SAGRADA DE BENNU
Organização  
Graus Iniciáticos  
Linhagem Bruxa
Organização
A Ordem Sagrada de Bennu se constitui nos moldes coventiculares, tendo um número de indivíduos iniciados restrito a até 13 membros, dentre os quais conta-se apenas um sumo-sacerdote ou sumo-sacerdotisa, cujo título é Bennu-Kher, cargo vitalício, porém, renunciável.
O número de membros não iniciados, entretanto, não é limitado, e como alguns iniciados solicitam sua retirada ou são afastados (a critério de seu mestre) bem como alguns que atingiram o mais alto grau muitas vezes vão cumprir missões específicas criando seu próprio coventículo, não é raro haver vagas para a iniciação.
Fazendo uso das novas tecnologias de comunicação, não há necessidade de a Ordem se restringir a um local geográfico específico, o que permite que conte com membros de cidades distantes em países distantes, sendo, todavia, indispensável que todos leiam e escrevam em português.
Apesar de estar na posição pertencente a uma Casa Bruxa (coventículo mãe de uma tradição), por ser uma Ordem, sua existência está vinculada à sua missão, e não à estrutura física da organização bruxa que representa por questão conjuntural. Ademais, as novas tecnologias de informação e a facilidade de viajar entre lugares longínquos do globo terrestre em ocasiões especiais permitem a exploração de novas formas de organização diferente da tradicional divisão por área geográfica.
A Ordem Sagrada de Bennu não cobra contribuições pecuniárias de seus membros. Para realizar seus objetivos, conta apenas com a colaboração participativa destes em mão de obra.
A Bruxaria Ancestral não força ninguém a fazer qualquer coisa que não deseje e respeita acima de tudo as escolhas pessoais. Para que fique absolutamente claro, afastando qualquer desconfiança calcada em preconceitos contra bruxos, a bruxaria ancestral:
a) não recrimina os usuários nem aconselha o uso de drogas ilícitas nem de drogas lícitas que possam causar dependência ou qualquer tipo de dano ao usuário;
b) não discrimina nem incentiva a homossexualidade;
c) não promove a libertinagem ou traição de qualquer espécie;
d) não discrimina os naturistas mas não é adepta do naturismo;
e) não comete e denuncia atos criminosos;
f) não impede a saída de nenhum membro, só exigindo, tanto daqueles que saem quanto dos que permanecem, a doação de sua adaga cerimonial a favor da Ordem e a não divulgação de qualquer informação obtida junto à Ordem ou através dela, senão entre os membros da Bruxaria Ancestral conforme seu respectivo grau.
Há, também, uma série de pré-requesitos a serem cumpridos pelos candidatos:
1- Ser graduado/a ou estar cursando o nível superior;
2- Não estar vinculado/a ativamente a nenhum outro grupo bruxo ou wiccano;
3- Não ser praticante de outra religião;
4- Ter acesso à Internet;
5- Dominar perfeitamente o idioma português;
6- Não divulgar dados, informações nem material recebido junto ao grupo, nem dados, informações, símbolos ou objetos criados ou obtidos através dele ou das técnicas nele ensinadas;
7- Buscar apenas aprender e servir até que seja iniciado/a na Bruxaria Ancestral, ou seja, não ter a pretensão de ensinar antes de ser iniciado/a;
8- Não sofrer de esquizofrenia nem ter vícios ilícitos ou lícitos, incluindo o tabagismo (se os vícios forem vencidos, a candidatura pode ser realizada).
Graus Iniciáticos
Há três graus iniciáticos na Bruxaria Ancestral:
Grau Zero - Peregrino/a;
1º Grau - Alcoviteiro/a;
2º Grau - Feiticeiro/a;
3º Grau - Bruxo/a
À exceção de membros de terceiro grau pertencentes a coventículos vinculados por linhagem, o ingresso na Ordem Sagrada de Bennu não se dá por convite nem com facilidade. É necessário que o candidato, em primeiro lugar, queira e busque com afinco o caminho até a Ordem. Uma vez encontrado o caminho e/ou demonstrado o vivo interesse, o candidato se comprometerá em manter o sigilo das informações recebidas, enviará uma série de dados à OSB, dados estes que serão transformados em informações e serão analisados por todos os iniciados da Ordem, sendo então realizada uma votação pelo seu ingresso entre os membros iniciados.
Para que seja aceito como peregrino, todos os iniciados da Ordem devem ser favoráveis à entrada, e cada um deles, sem precisar justificar seu voto, pode impedir sozinho a entrada de quem quer que seja na Ordem.
Uma vez aceito, é designado um/a mestre, e este será o único iniciado cuja identidade bruxa o peregrino conhecerá na Ordem, até que ele seja, também, um iniciado. O peregrino permanecerá em estudo por não menos que uma Roda do Ano e um dia, quando, a critério de seu mestre e novamente submetido à aprovação de todos os iniciados, poderá ou não ser conduzido à iniciação.
A iniciação dá acesso ao primeiro grau bruxo, o de alcoviteiro/a, que é assim chamado por, a partir dele, o antigo peregrino passar a fazer parte de um coventículo (grupo bruxo) e ter autorização para conhecer e participar de rituais junto aos demais membros.
Após mais uma Roda do Ano e um dia, o/a alcoviteiro/a, a critério de seu mestre e com a aprovação do Bennu-Kher, pode ser encaminhado à elevação de grau, tornando-se feiticeiro/a.
Como feiticeiro/a, o iniciado se aprofundará em diversas técnicas que deverão lhe habilitar a prestar serviços oraculares, curativos, de proteção psíquica e, sobretudo, aprenderá a ter acesso mais próximo às Deidades da Veneração Ancestral.
O grau mais elevado na bruxaria, que só pode ser concedido com a aprovação exclusiva do Bennu-Kher, é o de bruxo/a. Assim como os demais graus, este terceiro grau só pode ser atingido após no mínimo uma Roda do Ano e um dia de ocupação do grau anterior. Um/a bruxo/a terá acesso amplo a todos os conhecimentos da Ordem e poderá, a seu critério, criar seu próprio coventículo ou permanecer na Ordem para auxiliar no cumprimento de sua missão.
Linhagem Bruxa
Conforme pensamos hoje, a bruxaria sempre se deu pela via iniciática, ou seja, de mestre para aprendiz. Aos nomes de iniciadores em ordem inversa até o primeiro iniciador chama-se linhagem bruxa, o que leva a todos à seguinte pergunta: o primeiro iniciador não foi iniciado?
Mesmo a wicca, amálgama de alta magia com bruxaria, com data de início razoavelmente conhecida (meados do século XX), sugere que seu primeiro iniciador (Gerald Gardner) foi iniciado por bruxas tradicionais, o que no caso deles deixou novamente a questão em aberto.
No caso da Bruxaria Ancestral, a linhagem bruxa pode ser traçada da Ordem Sagrada de Bennu até bruxas de aldeia da Península Ibérica no ano de 1900. Entretanto, em função de perseguições religiosas, antes disso e mesmo naquela época não era seguro manter registros sequer orais sobre linhagem bruxa, motivo pelo qual desconhecemos dados anteriores e cremos que qualquer linhagem tão antiga quanto a nossa sofra da mesma limitação.
A bruxaria ancestral, entretanto, por ser menos dogmática e muitíssimo menos ritualística do que o leigo imagina (esta imagem equivocada disseminou-se pelo fato de Gardner ter adotado para a wicca a rigidez ritualística da alta magia), sempre foi aberta a novas fontes, tendo acolhido conceitos de outras religiosidades, informações científicas e conhecimentos técnicos ao longo do tempo, combinando-os de forma coerente com a visão cosmológica da Bruxaria Ancestral. Isso significa que a bruxaria é uma religiosidade viva e que apesar de manter algumas bases sólidas, na prática não pode ser comparada a o que era em tempos imemoriais. Mais que isso, identificando as raízes da bruxaria ancestral como forma de religiosidade bem aprofundadas em terreno pré-histórico, chegamos ao período em que o contato com as deidades era comum a todos, não fazendo sentido falar-se em iniciação em mistérios. Nos primórdios da bruxaria, o primeiro e único mestre iniciador era a própria natureza, mas isso é algo que não pode ser entendido em sua real dimensão nos tempos atuais, senão pelos iniciados.